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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Famosa feminista muda de opinião sobre o aborto, pede perdão, e critica ideologia de gênero

A feminista Sara Winter, conhecida nacionalmente por participar de protestos a favor do aborto e participar de programas de TV defendendo a liberdade de decisão das mulheres sobre suas escolhas, publicou em sua página no Facebook dois relatos sobre mudanças significativas de opinião em relação aos temas que fazem parte dos principais debates na sociedade.

No primeiro artigo, Sara Winter expressa que após seu primeiro aborto, se arrependeu amargamente, e que após engravidar novamente, decidiu levar a gestação até o final e agora, é contra o aborto. Com o nascimento do filho, a feminista disse que decidiu também expor sua opinião contra a ideologia de gênero, que prega que uma pessoa pertence ao gênero que escolher, não ao qual nasceu.



Junto com a corajosa exposição de sua mudança de opinião sobre o aborto, Sara pediu perdão às pessoas que se sentiram ofendidas com sua postura ao longo dos anos sobre o tema: “Eu me arrependi de ter abortado e hoje peço perdão. Meu texto começa assim. Porque é a síntese de tudo o que eu sinto. Amanhã faz um mês que meu bebê nasceu e minha vida ganhou um novo sentido. Estou escrevendo isso enquanto ele dorme sereno no meu colo. É a melhor sensação do mundo”, escreveu a feminista.

Explicando que continua feminista e que ainda é favorável à legalização do aborto, ela se diz contra a prática do aborto por causa de sua experiência e pelas sequelas que teve de enfrentar.

“A minha experiência de ter quase perdido a vida, de ter tido sequelas, pesadelos horríveis e de quase ter perdido meu bebê me tornou uma mulher CONTRA O ABORTO. Isso mesmo, eu Sara Winter, sou CONTRA O ABORTO. Entretanto eu sou a favor da legalização do aborto. Porque? Porque eu acredito em livre arbítrio, portanto cada ser humano faz o que quiser com seu corpo. Além disso, quando o aborto é legalizado as mulheres passam por atendimento psicológico e psiquiátrico para realmente terem certeza se desejam prosseguir com o procedimento. Isso reduz drasticamente o número de abortos e vocês podem ter acesso as estatísticas disso nos países que legalizaram. Com a legalização do aborto, morrem menos mulheres que tentam abortar de maneira clandestina e o número de abortos realmente diminui, portanto não existe razão pelo qual uma pessoa que é contra o aborto ser contra a legalização do mesmo”, contextualizou Sara.

Sobre a ideologia de gênero, Sara expressou o que parece ser o entendimento da maioria das pessoas sobre o tema: “Eu não acredito que uma pessoa possa se identificar com um gênero e a partir de então pertencer a ele. Ou seja, essa ladainha de ‘eu sou mulher porque me sinto mulher’, eu não acredito e não apoio. Pra mim mulher é quem nasce com vagina e homem é quem nasce com pênis. ATENÇÃO AQUI: eu não tenho absolutamente nada contra pessoas transexuais, eu só não acredito que trocar de roupas, colocar silicone e fazer a transição com hormônios e cirurgia possa mudar o gênero de alguém”, escreveu.

Em relação à forma de escrita adotada por muitos ativistas, Sara Winter destacou que é contra, pois sob um pretexto de inclusão, resulta na exclusão de outros: “Meu filho é filhO. Eu não concordo mais com essa besteira de filhx, e ficar usando o X (linguagem inclusiva), até porque é uma linguagem elitista. É difícil de ler, de entender e explicar para as pessoas”, opinou.

Confira a íntegra do relato da feminista Sara Winter sobre o aborto:

EU ME ARREPENDI DE TER ABORTADO E HOJE PEÇO PERDÃO.

Meu texto começa assim. Porque é a síntese de tudo o que eu sinto.

Amanhã faz um mês que meu bebe nasceu e minha vida ganhou um novo sentido. Estou escrevendo isso enquanto ele dorme sereno no meu colo. É a melhor sensação do mundo.

Eu ensaiei este texto milhares de vezes durante meses na minha mente e talvez ele não saia tão brilhante como eu gostaria que saísse, mas o mais importante que gostaria de que chegasse a vocês é que, por favor, mulheres que estão desesperadas para abortar, pensem muito, eu me arrependi muito, não quero o mesmo destino pra vocês.

Eu sou feminista e sempre serei. Isso significa que eu quero e luto pra que mulheres tenham os mesmos direitos e acesso a políticas públicas específicas, ou seja, eu quero que todas tenham direito pleno a segurança e respeito ao andarem nas ruas (seja com qualquer roupa a qualquer horário), no transporte público; quero que tenham acesso integral à políticas de saúde específicas, como mamografias, pré natal (digno e não essa bosta que temos atualmente); acesso fácil e desburocratizado a métodos contraceptivos, incluindo DIU e chips contraceptivos, entre outros. Quero maior representação das mulheres na política brasileira. Quero o fim do tráfico de mulheres e crianças, assim como a exploração e turismo sexual. Isso é ser feminista.

Infelizmente, o feminismo jovem e online brasileiro, confesso pra vocês, é composto em sua grande maioria por mulheres que ainda não conseguiram desconstruir sua rivalidade. Resumindo: é um ninho de cobras. Existe fofoca, inveja, brigas horríveis que acaba afastando completamente a atenção da luta por essas pautas tão importantes que citei acima.

Um dos maiores problemas que tive contato com o feminismo nesses meus 3 anos e meio de militância foi o INCENTIVO AO ABORTO.

Não estamos falando de pessoas que militam para que o aborto seja legalizado, estamos falando aqui, de mulheres que organizam grupos online para DISTRIBUIÇÃO DE CYTOTEC (misoprostol – droga abortiva proibida no Brasil). Estamos falando de mulheres brancas e de classe média que se unem para comprar essa droga para outras mulheres, inclusive, meninas menores de idade. Estamos falando de mulheres que incentivam o abortamento e acreditam que o método é uma forma de empoderamento da mulher.

Eu caí nessa ladainha. Eu quase morri.

Uma feminista me deu a droga, e eu num momento de desespero, abortei. A mesma feminista sequer me avisou sobre o pós procedimento, mais conhecido como CURETAGEM. Não me deu qualquer suporte emocional, qualquer ombro amigo. Dez dias depois eu sangrei até quase morrer e tive sequelas gravíssimas.

Ironia do destino ou não, quem me ajudou foi um HOMEM que de pró feminista não tinha nada.

Eu não estou falando que toda feminista faz isso, veja bem, mas muitas fazem e essas são a escória irresponsável do movimento e que na minha opinião deveriam ser presas por tráfico de drogas e tentativa de homicídio.

Isso não aconteceu apenas comigo, isso acontece todos os dias.

O aborto clandestino não é seguro.

Eu recebi um laudo médico de que se eu desejasse engravidar novamente teria de fazer ANOS E ANOS de tratamento. Fiquei arrasada, um arrependimento terrível tomou conta de mim.

Então eu e minha companheira de luta, Bia, elaboramos uma cartilha com informações sobre aborto. Nela, ensinamos o que você deve fazer caso JÁ TENHA ABORTADO, como os procedimentos de saúde, sobre infecções, falamos sobre suporte emocional e indicamos grupos, ongs e instituições que ajudam mães solteiras com abrigo, cursos profissionalizantes, encaminham para empregos, etc.

Sete meses depois de abortar eu engravidei novamente. Essa foi a maior felicidade da minha vida. Mesma sabendo que o progenitor não iria me ajudar com absolutamente nada, Deusme deu uma segunda chance.

Infelizmente por conta da aborto meses antes, minha gravidez foi de alto risco nos primeiros meses. O medo de perder meu bebê me assombrava todos os dias. Tive sangramentos, tive que ficar de repouso por dias, interromper todas as minhas atividades, foi um verdadeiro martírio.

O tempo todo eu pensava “porque aquela feminista que me deu cytotec não me falou que eu poderia morrer tomando isso?”, se eu que sou ativista feminista e tenho acesso a interne era completamente ignorante no assunto, imaginem mulheres que não tem esse mesmo privilégio?

Eu escrevi algumas vezes isso no meu perfil pessoal e fui atacada por feministas que me chamaram de pró vida, e disseram que a decisão foi minha de abortar e que eu estou sujando o movimento contanto isso. Mas as pessoas precisam saber da verdade. O feminismo deveria se concentrar mais em salvar mulheres do que colocar a vida delas em risco.

Uma maneira correta de lutar pela legalização do aborto é se envolvendo com política, se eleger, fazer petições, fazer protestos, levar estatísticas pra população. E NÃO DISTRIBUIR DROGAS ABORTIVAS para mulheres e meninas.

A minha experiência de ter quase perdido a vida, de ter tido sequelas, pesadelos horríveis e de quase ter perdido meu bebê me tornou uma mulher CONTRA O ABORTO. Isso mesmo, eu Sara Winter, sou CONTRA O ABORTO.

Entretanto eu sou a favor da legalização do aborto. Porque?

Porque eu acredito em livre arbítrio, portanto cada ser humano faz o que quiser com seu corpo.

Além disso, quando o aborto é legalizado as mulheres passam por atendimento psicológico e psiquiátrico para realmente terem certeza se desejam prosseguir com o procedimento. Isso reduz drasticamente o número de abortos e vocês podem ter acesso as estatísticas disso nos países que legalizaram.

Com a legalização do aborto, morrem menos mulheres que tentam abortar de maneira clandestina e o número de abortos realmente diminui, portanto não existe razão pelo qual uma pessoa que é contra o aborto ser contra a legalização do mesmo.

Entendam bem: eu sou contra o aborto por ser um processo invasivo que pode abrir feridas emocionais que nunca mais cicatrizarão. Apesar de eu ter me tornado mais religiosa, não deixo que minha crença interfira no meu ativismo (até porque eu não sou cristã). Aliás, ninguém é a favor do aborto. Ninguém faz aborto por diversão, porque é cool, é mainstream. Doi o corpo, doi a alma, é incerto, é arriscado, é aterrorizante. Se faz aborto por desespero e falta de acolhimento do Estado.

Para as feministas que continuam incentivando outras mulheres a abortar, eu imploro: parem! Militem de outras formas, não sejam parte responsáveis pela desgraça de outro ser humano.

Para o Estado, eu clamo por políticas de planejamento familiar, melhor e MUITO MELHOR distribuição e acesso a métodos contraceptivos, inclusive a desburocratização do DIU, por aulas de Educação sexual e reprodutiva nas escolas, por aulas de Educação de gênero nas escolas (porque o número de mulheres desesperadas pra abortar porque o pai da criança sumiu NÃO É PEQUENO), pela prioridade e agilidade de processos de Reconhecimento de paternidade, Pensão alimentícia, Pedido de DNA gratuito, que pra quem não sabe podem demorar de 6 meses há 1 ano e meio para terem qualquer efetividade, por um SUS que atenda Partos humanizados, LIVRE de violência obstétrica, acesso integral a pré natal de qualidade, incluindo Dentista, Nutricionista e Psicólogo, pré e pós parto; pelo cumprimento da Lei do acompanhante e do Plano de Parto e a legalização do acompanhamento de Doulas no partos hospitalares em território nacional.

Para as pessoas que não tem um pingo de vergonha na cara e tem me mandado mensagens e comentários chamando meu filho de ESTUPRADOR, eu imploro que parem. Uma criança não tem nada a ver com as atitudes ou passada da mãe. PAREM. Meu filho merece todas as energias positivas do mundo e merece crescer de maneira saudável fisicamente e mentalmente. Não façam mal a ele.

Para todas as pessoas que eu possa ter vindo a ofender sobre o assunto de aborto, eu peço, sem qualquer ressentimento: me perdoem.

Sara Winter, 14 de Outubro de 2015.

Confira a íntegra do relato dela sobre a ideologia de gênero:

MEU FILHO É XY E SOU MUITO FELIZ COM ISSO.

Algumas pessoas têm comentado aqui na page sobre o que eu acho da Teoria de gênero.

Quero deixar claro que há mais de 1 ano eu mudei minha concepção de gênero.

Eu não acredito que uma pessoa possa se identificar com um gênero e a partir de então pertencer a ele. Ou seja, essa ladainha de “eu sou mulher porque me sinto mulher”, eu não acredito e não apoio.

Pra mim mulher é quem nasce com vagina e homem é quem nasce com pênis.

ATENÇÃO AQUI: eu não tenha absolutamente nada contra pessoas transexuais, eu só não acredito que trocar de roupas, colocar silicone e fazer a transição com hormônios e cirurgia posso mudar o gênero de alguém.

Cada pessoa é livre para acreditar no que quiser e eu acredito nisso. E se pessoas transexuais se sentem melhor e mais confortável assim, pois que assim sejam e merecem respeito e segurança, mesmo que eu ou qualquer outro não acredite na teoria de gênero.

Não se “vira” mulher quando se passa batom, coloca silicone e começa a falar fino. Ser mulher é MUITO MAIS DO QUE ISSO. Assim, como duvido muito que uma mulher que coloque roupas largas e corte o cabelo terá privilégio que homens tem, como ganhar um salário 30% maior, tem mais segurança na rua…

Portanto meu filho é filhO. Eu não concordo mais com essa besteira de filhx, e ficar usando o X (linguagem inclusiva), até porque é uma linguagem elitista. É difícil de ler, de entender e explicar pras pessoas.

Sobre roupas e brinquedos do meu filho, eu pretendo deixar ele escolher tudo isso. Quer usar azul? Use. Quer usar rosa? Use. Quer usar roxa, laranja, verde, amarelo, vermelho? Use. E brinque com o que quiser.

Eu não acredito que a cor da roupa dele vá influenciar em sua identidade de gênero ou orientação sexual. Criança tem que brincar e deixar a criatividade fluir, tem que ser criança.

Edit: Eu não comecei a pensar assim depois que tive meu filho, há mais de um ano eu não acredito em teoria de gênero, mas nunca comentei publicamente pois eu tinha MEDO de retaliação das outras feministas. Hoje, não tenho mais.


Com informações do: Gospel+

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